Em reunião na Ulbra, Sintep Vales esclarece dúvidas de trabalhadores

Centenas de trabalhadores compareceram ao auditório 220 do prédio 1 da Ulbra, onde o Sintep Vales realizou reunião na tarde de quinta-feira (23). O tema do encontro foi o pedido de recuperação judicial solicitado pela instituição e os pagamentos em atraso.

Tal como aconteceu na reunião de segunda-feira com os desligados da instituição, o assessor jurídico do Sintep Vales, Estevão Stertz, foi o responsável por conversar com os trabalhadores. Após explicar o porquê da não aceitação do pedido pela justiça, o advogado afirmou que nada muda neste momento. “O indeferimento não é definitivo, pois ainda cabe recurso, e não muda em nada o atual cenário, onde os salários não são pagos em dia já que os valores não entram nas contas”. Estevão ainda ressaltou não compreender o motivo para a Ulbra solicitar a recuperação judicial. “O risco é extremamente alto. Agora são dois caminhos: a aceitação da recuperação judicial ou a falência. Nós do Sintep Vales não apoiamos essa decisão da instituição, mas agora não há como voltar, então temos que pensar o que pode acontecer daqui para frente”.

Os trabalhadores tiveram a oportunidade de fazer questionamentos ao assessor jurídico. Além da posição do sindicato, também foi perguntado sobre o que acontecerá se a recuperação for aceita, e como o Sintep Vales está atuando para que os salários sejam pagos em dia.

– Qual a posição do sindicato?

“No primeiro momento fomos pegos de surpresa. Esse pedido de recuperação judicial, no nosso ponto de vista, era uma medida desaconselhável, em face do alto risco. Se a recuperação não der certo, o caminho que a instituição deve trilhar é o da falência, e aí falamos em um possível desligamento de quatro mil trabalhadores, além do não pagamento das verbas rescisórias. A Ulbra assumiu esse risco, e nós não concordamos com isso, mas, agora, temos que atuar para que a justiça aceite o pedido”.

– E se a justiça aceitar a recuperação?

“O juiz suspende as ações em curso por seis meses. A partir disso os salários têm que ser pagos em dia. Há também o prazo de 12 meses para pagar o passivo trabalhista. Sabemos que a Ulbra não tem recursos para que os salários sejam pagos em dia, mas a gestão não nos informou qual o plano que estão criando para essa recuperação. Quando foram efetuados os pagamentos em dia, era porque entraram aportes de outros valores nas contas, o que não está acontecendo mais”.

– O que o Sintep Vales está fazendo para que os trabalhadores recebam seu salário?

“O sindicato atua em duas frentes: pagamento das verbas rescisórias, e pagamento dos trabalhadores ativos. A instituição se comprometeu que faria o depósito em dia para os trabalhadores desligados, e isto já não está acontecendo. No caso de vocês (trabalhadores ativos da Ulbra), já existe uma ação cautelar desde 2013, realizada pelo Sintep Vales e demais sindicatos, para que os valores que entrem no caixa sejam destinados prioritariamente para os salários e verbas rescisórias. Não há como entrar com um novo processo, sendo que este está em vigor. O problema é que a paciência de outros juízes chegou a um determinado limite. A partir de 2018 muitos juízes não respeitaram mais essa decisão, fazendo com que ocorressem penhoras sobre essa penhora já existente, o que aumentou o atraso nos pagamentos dos trabalhadores. Este pedido de recuperação judicial complicou ainda mais a situação. Hoje, para melhorar a situação, a Ulbra está no aguardo do desbloqueio de valores do FIES, que permitirá que os salários sejam colocados em dia, mas não há como dizer que na data X o salário estará na conta, infelizmente”.

Ao final do encontro o advogado avaliou a reunião. “É compreensível a tensão na qual vivem os trabalhadores. Neste momento é tudo incerto, não se sabe qual o futuro da instituição. Nós, enquanto sindicato, estamos fazendo o que está ao nosso alcance para minimizar o prejuízo a categoria”.

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